Quando sangro sou um outro
Viro esta página em branco.
Aquela? Aquela não. Esta
página em branco.
Minha mão parece que não sabe
mais virar a página ou
pegar a caneta. Minha mão dói.
Parece grande demais para a poesia.
Minha mão era menor. Menor para
escrever poesia. Por isso doía menos.
Poesia para mãos doloridas.
Escrevo poesias para mãos grandes
demais. Mãos sujas de chocolate seco.
O chocolate seco se parece com o
sangue seco. Como o seco se parece
com o sexo. Chocolate e sangue
seco nas mãos. Lamber o sangue
seco dos dedos, lamber o chocolate
seco nos dedos, umedecer até amolecer
o sangue e o chocolate.
A depressão, como o chocolate,
é uma química. O sangue é
uma química. Não passamos de
química. Para mim a depressão é
uma falta. A impossibilidade de se
encontrar sentido nas coisas. É
um esforço. A luta para
criar sentido para tudo. A depressão
quimicomunica com o mundo
me lambuza
os dedos com
chocolate, quando
os lambo sinto
que é sangue,
quando os
sangro, sinto
que é outro.
março 18th, 2008 às 20:21
Pára tudo! Agora preciso achar nessa página quem escreveu isso. Muito bom.
março 18th, 2008 às 23:17
Oi Charô… obrigado pelo comentário… o material do blog sou eu que escrevo… tenho um outro blog… que têm alguns outros poemas… cesarkiraly.wordpress.com
abril 13th, 2008 às 11:57
Aí Cesar, muito legal seu poema, embora tenha me remetido a momentos ruins da minha vida! rs Acho que preciso meio urgente de uma barra de Diamante Negro.
Abraço!
abril 17th, 2008 às 13:45
Olá Caio,
esse poema fala de sentimentos que remetem a paradoxos, e se não, no mínimo, alguma sorte de ambivalência, mas que a barra de Diamente Negro é um boa sugestão, talvez, e sempre, a melhor de todas, não posso negar.
Um grande abraço,
Cesar
abril 17th, 2008 às 15:17
E por aí vai esse exercício de metalinguagem que, ao parecer confessional, dá ao leitor - pelo menos a mim - a sensação de partilhar dessa angústia que, ao fim das contas, nos faz criar.
É isso, camarada.
Em frente.
abril 17th, 2008 às 23:12
muitas angústias… outras tantas criações… e por aí vamos…