poemóbiles: bordas de barro
ago.07, 2008 em
poesia
o múltiplo é o
móbile que não
se pendura.
o uno é a
marionete que não
dança.
poemóbiles: só seguidos de desmanifestos.
ou de definições: seguidas de um poema escultura.
com bordas de barro.
agosto 9th, 2008 às 22:46
E o Duplo, não tem vez? Ele está mais para o Uno que se complementa ou para o Múltiplo? Porque o Duplo não é nem Uno nem múltiplo, se pensado filosoficamente. Ele é a tese e a antítese. É a ida e a volta, a saúde e a doença, o presente e o ausente. Onde fica o Duplo na poemobilia? (talvez fosse melhor dizer o “díptico”?
agosto 12th, 2008 às 17:37
Oi Reinehr,
não pensei muito do duplo, porque nos móbiles é preciso equilibrar coisas para produzir estabilidade, ou evitar a composição para ter uma estabilidade simples. Sou capaz de compreender o duplo nos móbiles, e aí, para mim, a coisa fica interessante, porque são abertas duas possibilidades: uma expressiva e a outra identitária. No duplo expressivo a relação é de pares intensivos, imagens, cuja identidade, ou semelhança, ou contigüidade, não é evidente, mas que rivalizam por alguma razão. Alguma coisa como o duplo do cachorro com a mariola. Gosto de pensar numa poemobilia: poemas que se penduram, e que os duplos se afirmem, dessa forma, intensiva e expressivamente, como uniões, necessárias, entre termos não naturais. O outro tipo de duplo é o identitário. Nesse a relação de complementaridade e oposição (ou de contradição como gostam alguns) é evidente. Os termos se atraem ou se repelem em necessidade intrínseca. Como a relação entre o copo e a água no seu interior, complementaridade, ou a relação entre a tese e a antítese, oposição. Gosto de pensar que os poemóbiles serão capazes de girar, e, para isso, é preciso que haja vento, ou seja, expressão. Quando li o que escreveu, no que fiquei pensando nos últimos dias, imaginei uma orelha, furada, com brinco, e um brinco pendurado num pinheiro. Essa segunda imagem, de forte implicação psiquiátrica, me parece próxima dessa poemobilidade intensiva. Pelo que me fez pensar, acho que mudaria um pouco esse poema: acrescentaria.
o duplo é o brinco da orelha.
o duplo é a orelha que não brinca.
Um abraço,
Cesar Kiraly