poemóbiles: bordas de barro

o múltiplo é o
móbile que não
se pendura.

o uno é a
marionete que não
dança.

poemóbiles: só seguidos de desmanifestos.
ou de definições: seguidas de um poema escultura.
com bordas de barro.

Laboratório de Estudos Hum(e)anos - Colóquio Medieval

Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro - IUPERJ

Laboratório de Estudos Hum(e)anos - L(E)H

Colóquio Medieval

http://www.estudoshumeanos.com/eventos.html

Dia 22 de Agosto às 15:00
(IUPERJ, Rua da Matriz, 82, Botafogo, Rio de Janeiro, RJ).

Autoridade política e amor: infidelidades.
Início (15:30 horas)

Dawisson Belém Lopes
(Professor do Centro Universitário de Belo Horizonte)

Patrícia Rangel
(Mestranda em Ciência Política pelo IUPERJ)

Santo Anselmo: crença e temor.
Início (16:30 horas)

Renato Lessa
(Professor Titular do IUPERJ e da UFF)

Cesar Kiraly
(Pesquisador do Laboratório de Estudos Hum(e)anos do IUPERJ)

Ontologias históricas: caminho e descaminho.
Início (17:30 horas)

Cleber Ranieri Ribas de Almeida
(Professor da Universidade Federal do Piauí - UFPI)

Rafael Assumpção de Abreu
(Pesquisador do Laboratório de Estudos Hum(e)anos do IUPERJ)

Ontologia e Nominalismo: a doutrina do logos.
Início (18:30 horas)

Pedro Luiz Lima
(Pesquisador do Laboratório de Estudos Hum(e)anos do IUPERJ)

Bernardo Bianchi Barata Ribeiro
(Pesquisador do Laboratório de Estudos Hum(e)anos do IUPERJ)

Laboratório de Estudos Hum(e)anos - L(E)H

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O Machado de classes: Roberto Schwarz

Elementos estruturais da sociedade brasileira.

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Uma leitura de Dom Casmurro.

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A preservação da pobreza: crenças conservadoras

A preservação da pobreza: crenças conservadoras

A percepção conservadora da pobreza conserva a pobreza. O que nos leva a entender que a pobreza pode ser percebida de duas formas: (1) de modo conservador e (2) de modo liberal. Essas posições, na política, podem ser encontradas, tanto na esquerda, quanto na direita. Claro, são crenças, mas não podem ser localizadas como crenças de uma ideologia política em especial. A percepção conservadora entende que a pobreza é falta de alguma coisa e a percepção liberal entende que a pobreza é resultado de alguma coisa. A percepção conservadora entende que a pobreza é falta de emprego, falta de dinheiro, falta de comida e falta de recursos estatais para projetos deveras bem intencionados de melhoramento social. A posição liberal compreende a pobreza como resultado do processo histórico de concentração de renda em países da periferia e resultado do processo de competição capitalista em países centrais. A posição conservadora coloca o problema da pobreza como uma questão de política social e pública, ou seja, uma questão de Estado. Com efeito, a posição liberal compreende que a pobreza é uma questão de sociabilidade, a qual deve ser resolvida no âmbito das tensões sociais, muito embora as políticas sociais e públicas devam ser invocadas, ou seja, a pobreza é filha do mesmo processo histórico que forjou o Estado, ou fraqueza desse, em localidades de populações pobres, portanto, não é um problema, de direito, do Estado, muito embora o seja, em virtude dos mecanismos de implementação de igualdade social, de fato.

As posições liberais e conservadoras concordam no fato de que o Estado deve ser invocado no combate a pobreza e que possui função de protagonista. Apenas os libertários e os anarquistas não concordam com o papel central do Estado no combate a pobreza, até porque o combate à pobreza não é um problema para aqueles. Mas, deve ser dito, no que diz respeito às estratégias de combate a pobreza, as duas posições são diametralmente opostas. Porque os conservadores produzem a equação entre arrecadação e serviços públicos, sem o intermediário da estratégia, ao passo que o liberal justifica a arrecadação pela estratégia de emancipação, inclusive independência em face ao Estado. Assim, para o conservador, quanto maior a arrecadação, de maior vulto devem ser os investimentos, e melhores serão os serviços. Como a tradição, no sentido dos caracteres sociais dominantes, é um valor importante para o conservador, e o Estado, invariavelmente é um agente da tradição, quanto maiores os recursos do Estado, mais amplo será o exercício tradicional do poder. Para o liberal a concentração de poder é enxergada com desconfiança. Com efeito, para o liberal a equação entre arrecadação e maior investimentos em serviços não é necessária, e, até mesmo, perniciosa. Porque, como a pobreza não pode ser descrita, simplesmente, como ausência de recursos, mas sim, como a falta de mecanismos de sociabilidade que mantenha condições mínimas, convencionadas, de existência; o aumento de recursos, ao aumentar a disponibilidade da tradição, acaba por recrudescer os elementos perniciosos da tradição no Estado: a confusão entre a figura do Estado e a do indivíduo (autoritarismo), confusão entre patrimônio do Estado e do indivíduo (corrupção ativa e passiva) e confusão entre força de vontade e recursos público (ostracismo individual).

A posição conservadora ao aumentar irracionalmente os gastos públicos apenas aumenta a possibilidade do uso irresponsável do poder. Contudo, no Brasil ninguém em sã consciência é capaz de afirmar que a saúde, a educação e o saneamento possuem verbas suficientes para o melhoramento da vida da população. Ninguém em sã consciência é capaz de dizer que o programa bolsa família deve ser retirado da população famélica. Liberais e conservadores concordam no fato de que se há meios de combater a miserabilização, ela deve ser combatida: não há nada que diga que havendo recursos disponíveis devamos assistir parados pessoas morrendo de desnutrição. Mas quanto dinheiro deve ser dado a elas? Nesse momento liberais e conservadores discordam. Porque o conservador afirmará que deve ser dado quanto dinheiro puder ser dado, ao passo que o liberal dirá que apenas o dinheiro necessário para uma alimentação e condição de existência digna, ou próxima disso. Porque quanto mais dinheiro se dá maior a influência do poder tradicional, ou seja, mais os pobres dependem do Estado e maior influência o Estado exerce em suas vidas. Esse é um caso onde, na perspectiva liberal, o aumento de recursos não deve ser feito nunca, a não ser para acompanhar a inflação e em virtude de pequenos ajustes. Na saúde o problema é um pouco maior. Porque muito embora o aumento de recursos seja premente: o aumento de recursos sem melhoramento da gestão dos recursos apenas aumenta a possibilidade de corrupção e de recrudescimento do poder tradicional. Na educação o aumento de recursos o quanto for possível, atendendo a disponibilidade, parece ser o único setor onde a disponibilidade direta de recursos não é perniciosa, inclusive, a autonomia de recursos da educação parece ser a melhor medida: porque a educação tem em sua própria paidéia a percepção de como os modos de autonomia devem ser produzidos. Com efeito, a campanha a presidência de Cristóvão Buarque no passado bem o mostrou. Ao contrário dos planos autoritários de Mangabeira Unger, de fazer, produzir, inventar, a geração de líderes mundializados do futuro, Buarque comentava a relevância de permitir abundância de recursos para que a educação produzisse seus próprios cursos históricos e respostas políticas.

Recentemente tem-se discutido a possibilidade da criação, no Brasil, de fundos soberanos. O que são fundos soberanos? Basicamente, a gestão estratégica dos fundos nacionais para o combate a pobreza. Por certo, a bossa nova pode tornar o fundo bastante desafinado. Mas, por idealidade, os fundos soberanos significam a percepção de que não adiante aumentar recursos em áreas cuja sociabilidade não conseguirá bem gerir os recursos; sabendo que o combate à pobreza é progressivo, a exigência de recursos para o combate à pobreza amanhã será muito mais rigorosa, e dispendiosa, do que os recursos para o combate à pobreza hoje. Se a linha da pobreza fica mais alta, práticas, que, antes, não considerávamos pobreza, como falta de acesso à informação, amanhã serão consideradas, e, por isso, os mecanismos de Estado para a contenção da miséria, nas alterações naturais do conceito de miséria, deverão ser ainda mais eficientes. China e Índia possuem fundos soberanos. Emprestam dinheiro para a classe média de outros países em desenvolvimento e para o crédito imobiliário de países ricos. Parte dos chineses e dos indianos são miseráveis. A aposta, não conservadora desses países, é que erradicar a pobreza é um desafio cujo maior inimigo é o futuro. E, contra, o futuro, ou a favor dele, é preciso estar preparado para o inverno, isso, as fábulas tristes, dos países frios, outrora nos ensinaram. Ou, como diz o provérbio judaico, quando acaba o pão, os homens afiam as facas. A contraposição entre liberais e conservadores pode gerar alguma sorte de estranheza. Porque, no Brasil, os liberais parecem conservadores, e vice-versa. Mas o que desejo indicar por liberal é simplesmente o anseio público de evitar algumas tradições perniciosas, em específico a tradição da corrupção familiarista e patrimonialista, como o dizia Faoro. Uso liberal para evitar o progressista. Com efeito, não gosto da palavra progressista.

Cesar Kiraly
http://cesarkiraly.opensadorselvagem.org/

O incesto e a causação desnecessária de sofrimento

O incesto e a causação desnecessária de sofrimento

Publico dois comentários pequenos sobre a temática do incesto. O contexto desses dois comentários não é muito importante. Mas julgo que a leitura atenta destes fragmentos pode fornecer um pequeno contexto sobre questões pragmáticas, acerca do controle moral, ou jurídico, das relações sexuais, bem como, da aceitabilidade. Cabe dizer, deve ser colocada na balança a relação entre necessidade de controle e o sofrimento causado aos controlados. Os casos escabrosos de incesto levantados pela imprensa, nos últimos meses, em nada me interessam. Porque, nos casos em questão, o problema maior é a violência e o cárcere, bem como, o terror psicológico. Violência, terror psicológico, condutas traumáticas etc. não são passíveis de discussão muito longa, porque são inadmissíveis em qualquer contexto.

Comentário Primeiro

Já é um hábito em boa parte das legislações não criminalizar as condutas sexuais moralmente definidas como incestuosas. O que não significa que as legislações devam autorizar o matrimônio entre casais definidos como incestuosos. Tudo nos levaria a crer que a descriminalização ou a proibição do matrimônio são questões morais, mas penso que são questões de natureza jurídica, cuja implicações morais devem ser debatidas. É claro que em sociedades com menor controle de natalidade, ou com natalidade muito baixa, ou com informações bastante deficientes sobre procriação, as justificações para a criminalização das condutas incestuosas são muitos mais plausíveis do que em sociedades com natalidade moderada e acesso a informação sobre procriação. Da mesma forma, quanto autorizar, ou não, a união legal dos irmãos, penso que seja uma questão moderadamente relevante, tem relação muito mais estreita com a distribuição dos bens em sociedade, do que com o grande escândalo moral que a união legal de incestuosos causaria (não seria muito maior do que a sapiência de que irmãos realizam condutas sexuais). No fim, a união civil de homossexuais é muito mais coerente com a distribuição dos bens em sociedade do que a união civil de irmãos. Agora, se a pergunta é, devemos considerar moral a relação sexual de casais definidos como incestuosos, porque existem meios de controle da natalidade e porque o prazer é relevante? Acho que dificilmente poderíamos considerar a conduta moral em virtude desses argumentos. No Brasil, salvo maiores discussões, o incesto é imoral, mas não é crime.

Comentário Segundo

As implicações emocionais e morais, da vida familiar, são sempre muito complicadas. Mas são imprevisíveis. Tirando o fato de que é provável que a procriação gere afeto entre os partícipes. E mesmo assim não é tão certo. Todas as relações familiares são potencialmente muito traumáticas. Ser filho do tio parece ser melhor do que ser filho do avô. Mas quão melhor pode ser isso? Ter pais de sexos diferentes é melhor do que ter pais do mesmo sexo? Em quais circunstâncias? Acho que o melhor, nesses casos, é combater os preconceitos morais que possam gerar sofrimento desnecessário em todas as pessoas envolvidas em relações familiares atípicas. E torcer para que a vida seja sempre mais próxima da felicidade do que da tristeza.

Cesar Kiraly
http://cesarkiraly.opensadorselvagem.org/

Blaufuks e Crítica na Rede

Venho apresentar duas notícias e dois pedidos:

(1) O meu ensaio Da fotografia de Daniel foi citado por Daniel Blaufuks em sua página. Em virtude do acontecimento fiz uma nova apresentação para o post. Peço que dêem uma olhada. E se possível, leiam o ensaio, ia gostar de trocar experiências. Vamos aproximar continentes!

(2) O meu livro O Guarda-Chuva de Regras foi comentado no excelente site Crítica na Rede. Agradeço ao colega professor Desidério Murcho. Então, dêem uma espiada. Se possível votem com notas altas. E façam comentários entusiastas!

Um abraço,

Kiraly

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