Girassol Invictus
Girassol Invictus
Cabe, quase nunca cabe, diz, não vale a pena calar, estou no mês de Agosto, o sol não é tão forte, mas mostra o quão forte será, lembro dos poemas que escrevi para o sol, aquele que me faz sofrer, tanto, mas, cá em Agosto, fico contente em pensar nesse sofrimento todo, ai de mim, uma sorte de felicidade terrível. Para esse sol, e seus duplos, resolvo escrever um poema. Com esse nome, título, epígrafe, sempre um tanto latino demais, que se repete. Apenas repetições importam.
entre o sol
e o girassol
há duplicidade
de canduras.
um. exerce
a beleza e
gira. para
os olhos.
outro. exerce
a força e
fica. contra
os olhos.
entre sol e
girassol existe
duplicidade expressiva
entre os seres que
rodam ou ficam.
o girassol
vem de baixo
para cima e
resiste. um tanto.
admirado pelo
ser que fica.
o sol
vem de cima,
de bem cima,
para baixo e
permanece. acende e
apaga. desafia os
seres de resistir.
Cabe, quase sempre falam, mas não vale a pena falar. Porque de tanto escrever o sol se põe a desaparecer e um frio, tão gelado para um lugar tão quente, ocupa cada um dos átrios do coração de poesia que alguns girassóis guardam no peito. Um homem que passa, mas não conheço, passa a pensar em coisas que ignoro; não conheço, e subestimo, a capacidade da maioria dos homens de se colocarem a pensar, quase tudo o que se coloca, pesa. Assim, como dizem, os homens sozinhos, um pouco maus, até mesmo os homens que passam, aqueles que juramos que não pensam, pensam. Muitas coisas podem ser feitas com girassol, até mesmo óleo de girassol, até mesmo comida de passarinho que não voa, aqueles do universo gaiola, mas pouca coisa pode ser feita com o sol. No fim, o sol, porque é grande, faz muitas coisas, e o girassol, pequeno, serve para ser feito. Mas os girassóis fazem algumas coisas, mas todas elas um pouco estranhas. Servem para mostrar que o olho bom é o olho torto: os homens que decepam orelhas são feitos por girassóis. Servem para mostrar que um sol é só um sol. Uma evidência é só uma evidência. Porque nem mesmo os homens passantes gostariam de um girassol que não desmonta. Kiefer é criado por um girassol em dengo, desses que não esquecem.
existe duplicidade entre o sol
e o girassol quando colocados expressivos.
lado a lado pelos homens de olhos tortos.
mas como todo olho torto. olha um pouco para dentro.
e um tanto quanto para fora. mais ou menos como os cegos. desolham.
colocaram um girassol para ficar. um que veio do caos. e exerceu. seu pedúnculo.
brotaram do infinito uma infinidade de girassóis quentes. duplicantes em girassolices.
e debaixo surgiu apenas um sol. um sol forte. sujo. um pequeno tirano anão.
desse pequeno sol. de um mundo iluminado de baixo para cima.
surgiu uma pequena indecidibilidade. os girassóis de cima.
despetalantes. e o sol de baixo. em fogo. em luz.
donde. os girassóis não se moveram.
porque o caos não brinca.
donde. o sol atreveu.
uma pequena volta.
presa a terra.
e apagou.
Neste Agosto que se acaba cheio de nomes e rostos que esqueço. Surpreendido que sou por uma infinidade de insetos. Acabo por descobrir que todo poeta é dado às crueldades de apagamento do sol. Um pouco lúdicos são os poetas com as suas crueldades. Movo as madeiras para criar uma fogueira. Dessas labaredas contidas pelo universo chamado lareira. Um tipo de fogo passarinho comedor de sementes. Ensacadas. E porque me caiu um pequeno passarinho. Na chama. E consumido que foi me deixou um pouco triste. Nada pude fazer, ou quis, o não poder e o não querer são duplos: como o sol e seu giramundo.
Cesar Kiraly
http://cesarkiraly.opensadorselvagem.org/
setembro 6th, 2008 às 9:55
Não penso que há muito de inteligente em comentar poemas, nem mesmo acredito que algum dia eu tenha compreendido um por completo, mas concordo que nos poetas há sempre alguma crueldade… coitado do girassol, que destino…seu nome, antes de sua essência, é sempre motivo de comparação com o astro-rei… mas ele está lá, em pé, na dança equilibrada, guerra velada, entre o sol e a lua. Quando não pela ordem natural das coisas, o girassol só deita pela mão dos homens famintos e seus pássaros enjaulados, ou pela mão dos poetas cruéis e suas tristes comparações.
Parece que não, mas eu adorei… só fiquei triste pelo girassol e resolvi sair em defesa dele… É que muitas vezes, em nossas vidas, nos divertimos com estes jogos de comparações, sendo que há muito mais na essência de cada um do que podemos ver… hahaha… fui looooonge agora…
Ah! Você já escreveu algo sobre gatos? Dizem que são poesia ambulante…
=^.^=
setembro 6th, 2008 às 15:11
Oi querida,
mas no fim acho que o girassol leva a melhor, fica invicto, contudo uma vitória sobre o sol, não é qualquer vitória, mas um vitória sobre a luz, sobre a evidência, o que leva a mimesis, e, depois, a escuridão. Mas não há problema em comentar poemas, mas o importante é fazer do comentário uma outra coisa, uma espécie de precipitação que parte do poema e se transfigura em outra coisa, como vc fez. Engraçado comentar, poemas sobre gatos são sempre muito bons, vou postar um de uma poetisa polonesa, nos próximos dias, mas até lá, fique com o meu poema para o meu gato de madeira, o Januário.
http://cesarkiraly.opensadorselvagem.org/descricao-animista-da-minha-mesa-de-trabalho/
Um beijo,
Cesar Kiraly
setembro 14th, 2008 às 12:28
Ah sim! Januário parece muito singular…
Sou suspeita, pois para mim não há gato preguiçoso demais, travesso demais, arisco demais, mimoso demais… só há os gatos que amo demais…
Mande abraços ao simpático Janu por mim!!!
=^.^=
(”O homem quer o bicho espojado, submisso, cheio de súplica, temor, reverência, obediência. O gato não satisfaz as necessidades doentias do amor. Só as saudáveis.”)
setembro 15th, 2008 às 13:57
Oi querida,
que bom que gostou do Janu! Ele tem todos os predicados que um gato possui, inclusive o combate as patologias, mas, Janu, e mais alem, ele e de madeira. Isso e que e gato.
Um beijo,
Cesar Kiraly
P.S. Meu teclado nao quer acentuar… risos
setembro 15th, 2008 às 15:05
Quebomquevocêavisoudeseuproblemacomoteclado(omeuproblemaécomabarradeespaços) hehe…brincadeirinha…
Olha só, a minha gata, que não é de madeira, é muito, muito… ela é tudo! rsrsrs… Se chama Tchulinha… é de Pitchula, mas eu num gosto desse nome (meu irmão que deu). Aí é como você disse, como eu gosto muito dela eu chamo ela de cerejinha, laranjinha, moranguinho e mais um monte de frutas…
Ah! depois passo meu blog… mudei de endereço e num passei os posts pra lá ainda…
Até mais!!!
setembro 17th, 2008 às 5:32
Oi querida,
então, espero que me mande o seu blog… Com fotos de Tchulinha!!! Agora, Januário pode ser de madeira, mas é mais gato do que muito gato!
Um beijo,
Cesar Kiraly