cidade de deus
cidade de deus
a santo agostinho e Portinari
de todo casebre que se preze.
e como se prezam os casebres.
estica-se uma linha bem fina.
e como se estica.
na ponta da linha sempre uma pipa.
e como se pipa.
o casebre solta a pipa?
a pipa solta o casebre?
de toda pipa que se preze.
e como se prezam as pipas.
estica-se uma linha bem fina.
e como se estica.
na ponta da linha sempre um casebre.
e como se casebre.
a pipa solta o casebre?
o casebre solta a pipa?
todo menino que se preza.
e como prezo aos meninos.
estica duas linhas:
uma para pipa.
outra para o casebre.
ou a pipa solta o menino.
ou a pipa solta o casebre.

julho 9th, 2008 às 11:45
Meu bom amigo Cesar
Jamais conseguiria colocar aqui a emoção de ler este poema.
Entre o casebre e a pipa, o menino.
Entre o casebre, a pipa e o menino, a linha.
Entre a linha, Santo Agostinho.
“E por assim haver disposto o essencial,
deixando o resto aos doutores de Bizâncio,
bruscamente se cala
e voa para nunca-mais
a mão infinita
a mão-de-olhos-azuis de Candido Portinari.” “A Mão” de Carlos Drummond de Andrade
Um grande abraço Rogério
julho 12th, 2008 às 5:38
Meu amigo Rogério,
fiquei um bom tempo pensando no que te responder. Porque o que disse da minha poesia é bonito demais. E fiquei tão emocionado que perdi um pouco a voz. Hoje pensei mais um pouco. Estive em Campos do Jordão e pensei mais um pouco. Pensei que aos poetas quase sempre reservam o esquecimento ou o silêncio. Mas para mim a coisa foi diferente, porque da poesia, me foram reservados, amigos. Como você. Fui convidado a ter editado um livro de poemas. Estou tentado a aceitar. Pensei em chamá-lo minusc’ulisses. Como o poema que publiquei no Bloonsday. O que acha?
Um abraço querido,
Kiraly
julho 12th, 2008 às 13:15
Meu amigo
Nós (magestaticamente) sabemos que o esquecimento é uma lembrança encobridora no nível do afeto e que o silencio é uma fala que se cala. talvez o que há de mais caro e por isso mesmo reservado a poucos.
Aos poetas é reservado o direito à reclusão criativa. Quero ser convidado para o lançamento do livro. Quando será?
um grande abraço
rogerio
julho 12th, 2008 às 19:34
Caro Rogério,
sim, bem o sabemos, eu, inclusive, abuso um pouco. Mas do meu contentamento com as suas palavras e com a lembrança de Drummond quero fazer uma expressão bem barulhenta: obrigado amigo. Ainda me emociono. Ah, uma coisa é permitir a edição do livro, outra coisa é ter coragem de ir a lançamentos. Como tenho medo de alturas, sou um pouco avesso aos lançamentos. Quero dizer, ainda não me convenci quanto ao evento, percebe a hesitação? Mas quanto aos seus lançamentos. Penso já estar na porta!!!
Um forte abraço,
Kiraly