Posts na categoria ‘poesia’

Descrição animista da minha mesa de trabalho

Januário meu gato de madeira.Gosta das corujas, mesmo a amarela, do palhaço,da mesa inteira. Januário gosta das intimidades.Se chamado de Janu atende com a maior das boasvontades. Janu é um gato dominante. Fica sempreum pouco para frente. Um pouco infante. Cultivabigodes pretos, sempre pontudos, amadeirados,meditabundos. Januário detesta o mês deJaneiro. Não gosta de competições. Prefere [...]

Deixe um comentário

O quarto de Margarida

Raimundo precisa de um livro que lhe salve a vida. Aborrecido que está. Estatelado em uma cadeira de couro velho, com braço sinuoso que lhe permite apoiar a perna, conflita com o sono. As alternâncias entre sono e vigília lhe permitem a sensação de delírio. Estende a mão para arrumar os óculos de armação grossa. [...]

Deixe um comentário

A arte da escrita

A falta do papel importa muito.Escrevo sempre no resto que sobra.Ainda que haja muito papel façoquestão que falte muito. Para que eupossa escrever no pouquinho que restano canto. Salto linhas meio que porazar. Para me fazer entender em suspiros.Salto linhas meio que por sorte. Para fazero poema encaixar no papel que tenho, masinsisto em não [...]

Deixe um comentário

A máquina de escrever

A mãe do caramujo lhe perguntouo que gostaria de ganhar de presente.O caramujo respondeu quequeria ser máquina de escrever.A mãe retrucou: - Perguntei o quequeria ter e não o que queria ser.O caramujo respondeu quegostaria muitíssimo.Mais do que qualquercoisa em ser aquilo que era.Uma máquina de escrever.A mãe esbravejou:- Mas se é como quer ser?Não [...]

Deixe um comentário

Página 7 de 7«1234567