um poema: aforismas: respiração
um poema: aforismas: respiração
Nesse exato momento uno a sua respiração a minha. Não importa quão mais velho seja, ou que nasça daqui a cem anos, nesse momento, sua respiração está atada a minha. Não importa não falarmos a mesma língua, ou que leia uma ruim tradução desse texto. Nesse exato momento sua respiração está presa à minha. Antes não percebia que respirava. Agora percebe. Presta atenção no ar que entra pelas narinas e infla o pulmão e depois sai. Respiramos pelo mesmo pulmão. Agora pode virar essa página. E continuar a ler outras coisas, talvez um livro de poemas, talvez o meu livro de poemas, ou saia da minha vida. Perceba a respiração mais um pouco, mais um tanto, depois esqueça, lembre, esqueça. Nesse momento, e, pelo resto da vida, nossa respiração brinca de atadura, cada lembrança e cada esquecimento é parte dessa minha vida que respira. O que é um livro de poemas? Não faço muita idéia. Os meus livros de poemas são um canto para dizer mentiras. Tudo aquilo de que não é formado o mundo. Um livro de poemas, porventura escrito, é um lugar com algumas vírgulas. Entre as vírgulas: os meus melhores momentos. Guardo aos livros de poemas: meus melhores momentos. Aqueles onde os aborrecimentos são cimérios. As felicidades fervorosas. Guardo aos livros de poemas minhas mentiras: os momentos onde sou mais feliz. Deixo essa poema por aqui. Acabado e atadura e mentiroso.
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