Se um comentário sobre a subjetividade de um modo geral é um penoso desafio, comentar a composição da subjetividade artÃstica, trata-se de uma atividade que lembra o empurrar da pedra por SÃsifo. Os mesmo agentes de formação da subjetividade realizam os seus efeitos sobre todos, mas estes elementos enformadores não são recebidos de modo pacÃfico, reunimos tais elementos de modos a fazer com que toda formação subjetiva seja também uma formação singular. Assim, por mais passivos que sejamos ao recebermos os elementos enformadores da experiência, não conseguimos compor o álibe de não sermos absolutamente responsáveis, porque radicalmente singulares. Contudo, da mesma forma com a massa sem forma, toma belas formas pelas mãos habilidosas e as letras sem vida, tomam respiração pelo sopro do poeta, também a criatividade possui agência sobre a subjetividade. Não sendo absurdo dizermos que o mesmo sujeito que é produzido, recebe muitas formas, ao mesmo tempo em que pode enformar-se pelo uso da imaginação, da criatividade, ou melhor dizendo de um uso radical do pathos em direção a vida. Assim, muitas pesquisas devem ser feitas para que sejamos capazes de perceber o que pode a imaginação frente ao terreno aberto que é a subjetividade. Foucault avança muitÃssimo nessas pesquisas, mostra que, pela análise do discurso, podemos perceber a dinâmica interna de uma série de dispositivos de formação subjetiva. Na história da sexualidade, com a mais especificidade no cuidado de si aponta para elementos que explicitam a viabilidade de pensarmos um corpo, em toda a sua potência erogênica, como, também, o plano da invenção de si. Deleuze muita comenta essa questão. José Gil, com a temática da dança, parece seguir pelo mesmo curso. Tentaremos seguir algumas pistas. Nos anos que forem se passando. Uma primeira questão desejo colocar em forma de aforisma, ou na forma de uma aforismo bastante ruim, se comparado com a brilhante história dos escritores aforÃsticos. Uma distinção entre a invenção subjetiva do poeta e a invenção subjetiva do artista plástico (não nos apeguemos a caracterização dos personagens, mas sim a semiótica que escondem); lancemos, pois, a questão, o ofÃcio da poesia desinveste sua libido da matéria, para lançá-la sobre a memória, sobre os fluxos de idéias e sobre a vivência afetiva das palavras, o ofÃcio do artista plástico investe a libido sobre a matéria. O poeta não confunde sua subjetividade com a criação, enquanto o artista plástico confunde sua subjetividade com o processo de criação, na medida em que demanda compor um corpo artÃstico para compor a arte; cria ao criar-se ou inventa ao inventar-se.








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